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Com suas florestas, campos, restingas e manguezais reduzidos a menos de um terço da área original, a Mata Atlântica é hoje o mais degradado dos biomas brasileiros. Menos de 8% de sua vegetação estão bem conservados. Mesmo assim, seus remanescentes ainda prestam “serviços ambientais” indispensáveis a 123 milhões de brasileiros (67% da população) que vivem na região, como proteger e manter rios, lagos, evitar a queda de encostas, regular o clima e a qualidade do ar.
Estudo da Rede WWF e do Banco Mundial revelou que mais de trinta das 105 maiores cidades do mundo, incluindo Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza, dependem da água fornecida por unidades de conservação e avaliou que as matas distribuídas às margens de cursos d´água na Mata Atlântica estão comprometidas. Quando preservadas, por exemplo, servem para conter enchentes e proteger a biodiversidade formando corredores entre áreas conservadas.
Atualmente, existem 123 unidades de conservação federais e 225 unidades de conservação estaduais na Mata Atlântica, somando quase 75 mil quilômetros quadrados. Para atingir a meta internacional de ao menos 10% do bioma em unidades de conservação, é preciso ampliar sua área protegida em cerca de 36 mil quilômetros quadrados.
Considerada área prioritária para conservação em nível mundial, com mais de 20 mil espécies de plantas (35% da flora nacional), 849 espécies de aves, 370 de anfíbios, duzentas de répteis, 270 espécies de mamíferos e cerca de 350 espécies de peixes, a Mata Atlântica ainda vê sua vegetação encolher frente à expansão da fronteira agropecuária, cultivo de árvores exóticas e avanço de infra-estrutura sem estratégias sustentáveis.
De 2005 a 2008, os estados que mais desmataram o bioma foram Minas Gerais, Santa Catarina e Bahia, responsáveis por mais de 80% do total de desflorestamento no período. Um dos resultados é que, das 472 espécies ameaçadas de extinção no Brasil, 276 (mais de 50%) estão na região.
A Mata Atlântica cobria originalmente 1,3 milhão de hectares em 17 estados. Sua manutenção e recuperação dependem do envolvimento de setores políticos, produtivos, econômicos e sociais.
Por Aldem Bourscheit
* com informações do Ministério do Meio Ambiente (WWF)
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